As Origens do Forró New York - Uma História Pessoal de Campinas a Nova York (2011-2018)
- Rafael Piccolotto de Lima

- Feb 3, 2018
- 5 min read
Updated: May 3
Este texto foi originalmente escrito no início de 2018, durante o primeiro ano do Forró New York.
Naquele momento, o projeto ainda estava tomando forma, e muitas das ideias descritas aqui estavam apenas começando a se desenvolver. Desde então, o Forró New York se transformou em uma iniciativa estruturada, com aulas, eventos, cursos online e uma atuação ativa no desenvolvimento da cena de forró em Nova York.
Este artigo permanece como um registro pessoal e histórico daquele período - um olhar sobre como tudo começou, as motivações por trás do projeto e o contexto em que ele surgiu.
Um Futuro Diferente do Que Eu Imaginava
Se eu pudesse voltar no tempo, encontrar a versão de mim mesmo aos 20 anos e contar que no futuro eu estaria morando em Nova York, trabalhando como compositor, arranjador, maestro, videomaker, engenheiro de gravação e também dando aulas de forró, provavelmente eu não acreditaria.
Muita coisa aconteceu nesses 11 anos.
Morar em Nova York e trabalhar com música sempre foram sonhos meus, então essa parte não seria tão difícil de imaginar. Mas dar aula de forró aqui? Isso nunca passou pela minha cabeça.
O Encontro com o Forró em Campinas
Como dançarino social, eu me apaixonei pelo forró nos meus vinte e poucos anos.
Durante a faculdade, enquanto levava meus estudos musicais na UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas - muito a sério, mergulhei também no aprendizado da dança. Houve um período em que eu ia para aulas praticamente todos os dias, em um dos espaços mais tradicionais do forró no interior de São Paulo: a Cooperativa Brasil, em Campinas.
Os fins de semana eram dedicados aos bailes, onde eu colocava em prática o que vinha estudando durante a semana.
Foi uma fase em que o forró estava presente quase todos os dias da minha vida.
Ali já estava claro que essa expressão da cultura brasileira teria um papel importante na minha trajetória.
Miami - Uma Pausa no Caminho
Cinco anos e muito forró depois, me mudei para Miami para continuar meu caminho na música.
Iniciei meu mestrado na Frost School of Music (University of Miami) e passei a atuar como compositor residente e assistente de regência no Henry Mancini Institute.
Nesse período, o forró acabou ficando em segundo plano.
Não exatamente por escolha, mas pelas circunstâncias.
Na época, não havia uma cena ativa de forró em Miami. Se eu quisesse dançar, precisava esperar as viagens ao Brasil.
As férias se tornaram momentos muito esperados - reencontrar amigos, voltar para os bailes e dançar por horas, muitas vezes até o amanhecer.
A Chegada em Nova York
Alguns anos depois, outra transição importante aconteceu.
Concluí meu doutorado e me mudei para Nova York, em 2016, para participar do BMI Jazz Composers Workshop.

Naquele momento, eu tinha muitas ideias de projetos artísticos que queria desenvolver.
Nenhuma delas envolvia dar aulas de forró, criar um site, filmar pessoas dançando ou escrever sobre o impacto do forró na vida das pessoas.
Mas a vida nem sempre segue o roteiro que a gente imagina.
Uma Cena com Potencial - Mas com Pouca Gente
Diferente de Miami, Nova York já tinha uma história com o forró.
Havia músicos ativos, alguns espaços onde se podia dançar e um grupo de pessoas apaixonadas pela dança.
Mas, por algum motivo, os eventos não estavam cheios.
Lembro claramente de uma noite em particular.
Eu estava no Nublu, no East Village, conversando com um músico.
Era uma noite de forró com música ao vivo, mas o espaço estava praticamente vazio.
Havia quase o mesmo número de músicos e dançarinos.
E eu me lembro de pensar:
“Como isso é possível? Uma banda tão boa tocando ao vivo, em uma cidade tão multicultural quanto Nova York, e quase ninguém aqui para dançar?”
O Ponto de Virada
O músico estava desanimado, como qualquer músico ficaria com um público tão pequeno. Eu também fiquei inquieto.
Conversamos, tentamos entender o que estava acontecendo, mas não chegamos a uma resposta clara. Ainda assim, uma coisa ficou evidente para mim. Eu queria trazer o forró de volta para a minha vida naquele contexto. E não queria deixar essa possibilidade passar.
O Início do Forró New York
Na volta para casa naquela noite, algo mudou.
Sentado no metrô, comecei a pensar no que poderia ser feito.
Ali surgiu a ideia de criar uma plataforma que ajudasse a organizar e divulgar a cena de forró em Nova York.
Assim começou o Forró New York.
A ideia era simples: facilitar o acesso à informação.
Forrozeiros - moradores ou visitantes - deveriam conseguir encontrar com facilidade onde dançar, aprender e se conectar com outras pessoas.
Eu queria contribuir para o crescimento da cena, trazer mais gente para a dança, fortalecer os eventos e apoiar os músicos e organizadores que já estavam ativos na cidade.
Naquele mesmo mês, registrei o domínio forronewyork.com e comecei a construir o site.
No início, parecia quase um projeto pessoal, um hobby.
Ao mesmo tempo, fui convidado a dar aulas de forró com a professora Cookie.

Esse também foi um passo importante, trazendo novas pessoas para a dança e ajudando a expandir a comunidade.
Os Primeiros Sinais de Crescimento
Depois de alguns meses, comecei a perceber mudanças. A cena parecia mais ativa, mais conectada e, aos poucos, em crescimento. Outras pessoas também começaram a se mobilizar, cada uma contribuindo à sua maneira. Novos rostos surgiram, novos movimentos começaram a acontecer.
Isso me lembrava muito o início da minha relação com o forró, lá em Campinas. Havia uma sensação parecida de descoberta, curiosidade e abertura. Mais uma vez, eu me via animado para cada evento, conhecendo novas pessoas e explorando novas possibilidades dentro da dança.

Se você quiser continuar essa história e ver como esses primeiros passos começaram a se desdobrar na prática, eu escrevi um outro texto contando como eram as quartas-feiras de forró em Nova York naquele período, à medida que o projeto foi ganhando forma e a comunidade começou a crescer.
Olhando de Hoje
Olhando hoje, muitas dessas ideias iniciais se tornaram a base do que o Forró New York é atualmente.
O que começou como uma iniciativa pessoal - criar um site, compartilhar informações e dar algumas aulas - foi se transformando em um projeto mais amplo, com uma dimensão educativa, cultural e comunitária.
Este texto permanece como um registro daquele ponto de partida.
E também como um lembrete de que ideias simples, quando colocadas em prática, podem crescer de maneiras que a gente não prevê.
Um Convite Aberto
Se o forró continua vivo, é porque ele se constrói em comunidade.
Deixo aqui o mesmo convite que existia no começo. Se você tem uma história para compartilhar, ela é bem-vinda. São essas histórias que mantêm essa dança em movimento.
Na mesma época em que este texto foi escrito, gravei também um vídeo compartilhando essas reflexões.
Revisitando hoje, é possível perceber não só como o projeto evoluiu, mas também como a forma de comunicar essas ideias mudou ao longo do tempo.
Ainda assim, o vídeo permanece como um registro muito direto e honesto daquele momento.
Se você quiser ver o “Rafael de 2018” contando essa história, além de ter um olhar sobre como era a cena de forró em Nova York naquela época, fica aqui o convite para assistir ao vídeo abaixo.
A partir desses primeiros passos, o projeto começou a se expandir em diferentes direções.
Desde a construção de uma rotina semanal até a realização dos primeiros festivais, cada etapa trouxe novos desafios e novas possibilidades.
Se você quiser acompanhar esse desenvolvimento ao longo do tempo, pode explorar os textos abaixo:
Sobre o autor
Rafael Piccolotto de Lima é o Fundador e Diretor Educacional do Forró New York, além de compositor, arranjador e diretor musical indicado ao Latin Grammy.




Comments