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Nova Iorque entra no mapa dos festivais de forró

Numa cidade conhecida pelos musicais da Broadway, pelas legendárias casas de jazz, bem como pelas grandes salas de concerto, surge também espaço para um gênero tipicamente brasileiro: o forró. O inimaginável tem sua bandeira fincada aqui. A partir de pequenos palcos fomos contagiando pessoas de todas nacionalidades, que querem se misturar, entrelaçar o corpo e a mente, sorrir, além de dar e receber alegria.

 

 

Quem imaginaria que Nova Iorque viraria sede de um festival de forró? A realidade é que, sendo uma das cidades mais multiculturais do mundo, é possível se imaginar todo tipo de coisa por aqui. A questão no caso é o ponto de referência; como que isso acontece numa cidade que até o meio do ano passado não tinha aulas regulares de forró? Como que uma cena pequena, cujos músicos chegavam a questionar a viabilidade de se manter festas ativas, de repente vira a sede de um evento de sucesso de público?

 

Entre 2017 e 2018 a cena nova-iorquina cresceu e se revigorou de tal maneira que criou um terreno fértil para essa iniciativa. Em pouco mais de um ano, a cidade que antes contava com duas casas operantes, com poucas pessoas dançando, passou a ter festas e aulas organizadas quase todos os dias da semana, e pasmem... nosso primeiro festival internacional de forró! Inspirados pela nova cena, o músico brasileiro Eliano Braz e a advogada norte-americana Marla Guttman tomaram a frente e criaram o NY Forró Fest 2018, o primeiro festival de forró produzido por residentes da cidade. Diferente de uma tentativa anterior, realizada por pessoas de fora, Eliano e Marla tiveram todo apoio da comunidade local de forró. O resultado foi um evento lindo, só possível devido a participação em peso dos nossos forrozeiros.

 

Pessoas de Boston, Philadelphia, Chicago, Miami, São Francisco, Montreal e até da Europa vieram fazer aulas, assistir shows e se acabar na pista de dança. Foram 4 noites com diversas apresentações musicais e 28 aulas da dança em apenas 3 dias, para todos os níveis e gostos. Músicos, professores e dançarinos de toda parte trouxeram para cá um pouco de sua história, experiências e suingue. Tudo a ser compartilhado num clima de muita amizade.

 

Sendo um entusiasta do forró na cidade, eu fiz tudo que pude para colaborar com a produção deste evento. Assim como eu, várias pessoas também se envolveram bastante e contribuíram de diversas maneiras para o sucesso do evento. Todo esforço valeu a pela, e muito!

 

Acho que Nova Iorque nunca viu tantos bons dançarinos de forró assim. Além das festas que foram todas cheias e muito animadas, as aulas foram algo muito marcante para mim. Uma ótima oportunidade de receber professores que vêm construindo a cena em suas respectivas cidades aqui da américa do norte, além de dar as boas vindas a grandes talentos vindos da Europa e do Brasil.

 

Conhecendo bem nossa cena nova-iorquina e os forrozeiros da cidade, eu sabia que esse intercâmbio de estilos seria algo muito positivo para a comunidade. O forró, sendo um gênero tão livre, dá abertura para a existência de estilos diversos, cheios de regionalismo. Nesse contexto, poder apresentar aos alunos diversas técnicas e maneiras de dançar foi uma das prioridades, evidenciada pela diversidade dos professores.

 

Enquanto professor, me senti realizado ao ver alunos que estão comigo há um certo tempo virarem referências para pessoas que estão começando, ver que a energia e o carinho colocados nas aulas ao longo desse último ano vem se multiplicando e dando frutos.

 

Também foi muito significativo para mim a oportunidade de unir dentro da sala de aula duas grandes paixões, a música e a dança. Dentro deste festival também foi a realização, em alto nível, de um antigo sonho: discorrer sobre os elementos musicais do forró com um trio tocando ao vivo, misturando uma aula introdutória sobre teoria e análise musical com uma aula de dança. Usamos como exemplo uma bela composição do sanfoneiro Felipe Hostins – músico ativo na cidade – sobre a qual pude discorrer e improvisar danças demonstrativas. Para essa aula de musicalidade eu contei com a parceria de uma das forrozeiras mais talentosas e criativas que já tive o prazer de dançar, a Camila Alves de Lisboa, Portugal. Ao lado destes talentos da música e dança, pudemos provocar em nossos alunos a reflexão e a experimentação com sons e movimentos.

 

 

Não só foi realizado um evento histórico que colocou Nova Iorque no mapa dos festivais de forró, mas também foi plantada uma semente para mais danças, mais aulas, mais shows e, principalmente, muito mais alegria e festa. Criamos novas amizades e vínculos com forrozeiros que vem fazendo a diferença no emergente cenário norte-americano. Preparamos o terreno de Nova Iorque para a cena continuar a florescer. Que venham os próximos festivais!

 

SOBRE O AUTOR - Rafael Piccolotto de Lima é apaixonado pelas artes, doutor em música e foi indicado ao Grammy Latino como melhor compositor de música clássica em 2013. Para ele todas as formas de expressão são de alguma maneira correlacionadas, gerando seu interesse e atuação diversificada; de fraque nas salas de concerto até sandália no chão batido de dança. Nascido em Campinas, São Paulo, hoje ele reside a margem do Rio Hudson com vista para o sul de Manhattan.

 

Website: www.rafaelpdelima.com

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Revisão: Silvia Sampaio de Alencar, Rafaela Serafim, Annri Araseki, Laura Braz e Erika Neri.

 

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